CRÍTICAS

LUCIANE VALENÇA - ARTS

A nova geração de artistas niteroienses vem ganhando força pra todo lado e fazendo um trabalho maravilhoso, que dá gosto de ver. A cena independente cresce a cada dia com trabalhos de qualidade na música, no artesanato, na gastronomia e nas artes. E como tem coisa bonita circulando pela cidade. Coisa nossa. Gente nossa. Prata da casa.
Uma dessas novas personalidades que vem ganhando cada vez mais espaço é a artista plástica Luciane Valença. Em “Cósmicas”, sua nova exposição em cartaz, Valença mostra todas as cores e curvas de seu trabalho, refletindo sua paixão pela natureza. Com traços fortes e cores vibrantes, os quadros de Luciane traduzem a visão da artista sobre a ligação que temos com os elementos da natureza.
Como a própria artista descreve, “O silêncio, o jogo de luzes e sombras, os sons misteriosos criados pelo vento, o ar que respiramos ou os movimentos dos animais criam o cenário perfeito para o intercâmbio entre os homens e os espíritos da natureza. Da contemplação, da energia, da força, da memória afetiva, assim nasceu Cósmicas.”

Existe cor em Niterói. E você não pode deixar de ver de perto.

RED WERNECK

LUCIANE VALENÇA – THE EXUBERANCE OF AN ARTIST

The naked city overflows with the passion of the poetic townee equilibrist who walks on the ropes that link the buildings: a city silhouette that includes a circus tent, hanging moon and stars, also a poetic scenario of art. Happiness mixed with a scenery that points toward the representation of the tradition of art related to the loneliness of the artist. Bliss as simple happiness emerges, as from a child, through the brushstrokes of Luciane Valença, visual artist from Niteroi, Rio de Janeiro.

Numerous as the slumbering feelings within our own childhood souls, so are the brushstrokes that will resurrect the exuberant features of an almost forgotten Brazil, victimized by modern-day sonority of a pop art that pushes aside both the past and the ludic in exchange for a barely authentic variation of the geometric emptiness of abstract forms.

Luciane Valença’s artwork has content, feeling, a thrust of good memories and happiness that relate to the fullness of childhood and the great joy of being alive and part of this world. Its content accounts for its strength, its unique exuberance.

The simplicity of its themes comes together with the numerous standards of graphic representations, from sinuous curves of a sensual and feline nature, to straight lines that cross over in order to form the silhouette of the city.

These states of mind announce themselves, each in their unique way, through the acrylic paints spread across the artist’s canvas. Harlequins, Pierrots, birds, cats and butterflies, all of a naive sensuality, full of candour. I will further observe that the type of work carried out by the artist stems from her link with the city of Niteroi, rich in nature, however with all the typical elements of modern cities, thus the origin of its exuberant colours.

The dove exiting from a top hat; the butterfly that flies over the colourful foliage; the nerve connections within a braincase pulsating with colour; the face of a Medusa with cheerful strands of foliage and waves of coloured hair. All of these echo the artist’s link with her city and her childhood which occurred there, in an exuberant scenario of colours and shapes.

Jonny Trugano

Translated by Val Hutchison

LUCIANE VALENÇA – A EXUBERÂNCIA DE UMA ARTISTA

 A cidade nua transborda a paixão do equilibrista citadino e poético que anda sobre cordas que ligam prédios; uma silhueta de cidade que inclui uma lona de um circo, lua e estrelas penduradas, cenário também poético da arte. A alegria misturada com um cenário que aponta para uma representação da tradição da arte coligada à solidão do artista. A felicidade simplesmente feliz emerge, como de uma criança, nas pinceladas de Luciane Valença, artista plástica da cidade de Niterói, Rio de Janeiro.

 Quantas forem as espécies do sentir adormecidas na nossa alma infantil, tantas serão as pinceladas que farão ressurgir as feições exuberantes de um Brasil quase esquecido, vitimado pelas sonoridades modernas de uma arte pop que expulsa o passado e o lúdico, em troca de uma pouco autêntica variação do vazio geométrico das formas abstratas.

 A arte de Luciane Valença possui conteúdo, possui um sentir, uma pulsão de lembranças boas e felizes que remetem à completude da infância e à grande felicidade de estar vivo e fazer parte deste mundo. Seu conteúdo perfaz sua força, sua exuberância única.

 A simplicidade de seus temas se une a variados padrões de representação gráfica, desde as sinuosas curvas da sensualidade natural dos felinos, às linhas retas que se cruzam para formar a silhueta da cidade.

 Estes estados de alma se fazem anunciar, cada um deles à sua maneira, nos acrílicos sobre tela da artista.Arlequins, Pierrots, pássaros, felinos e borboletas de uma sensualidade ingênua, cheia de candura. Vou além ao observar que o tipo de trabalho realizado por ela nasce de sua ligação com a cidade de Niterói, rica em natureza, mas com todos os elementos típicos das cidades modernas, origem da exuberância de suas cores.

 A pomba saída de uma cartola; a borboleta que sobrevoa folhagens coloridas; as ligações nervosas do interior de um crânio pulsando em cores; a face de uma Medusa com madeixas alegres de folhagens e ondas de cabelos coloridos, tudo repercute a ligação da artista com sua cidade e sua infância ali vivida, num exuberante cenário de cores e formas.

 Jonny Trugano

memória

“Memória” na percepção de Mailson Godoy

30 de agosto de 2013 às 11:30

Luciane Valença, parabéns, ótima tela. Gostaria de escrever algumas palavras, pois nesta pintura há verdades a ser pensadas. A memória é exatamente isso: um emaranhado com conexões dispostas num universo (universo no sentido de algo grande, desconhecido e situado em qualquer lugar) e que assegura o funcionamento da própria existência. Este tema, aliás, não é novo, os gregos já pensavam sobre a memória. Sem dúvida cada conexão tem uma função. Nunca havia pensado nisso, faz sentido. Na pintura há conexões que parecem pulsar, parecem funcionar como um coração da memória, e isto faz todo sentido se se pensar que no emaranha de memória há lugares mais pulsantes, há lugares que por sua importância faz subsistir o resto da trama, e tais pontos são onde residem a fé, a vontade e as tendências do ser humano. Como somos o que somos sempre? Sempre somos nós mesmos. Conexões-corações. Enfim, achei muito legal dar um fundo espacial e dar ênfase nas conexões, que são até mesmo aflitivas, pois pensamos na memória como coisas muito pequenas e que funcionam como um raio, mas se parar para pensar, o que você fez, lá dentro há todo tipo de forma, cor, textura, relação, etc. Um bom trabalho para você.

Mailson Godoy 30/08/2013

psique

Crítica da tela “Psiqué” por Paula Muniz e tradução de Nicolas Duvialard

“Psiqué” por Luciane Valença, é um convite a viagem inconsciente. Contempla aspectos do feminino e masculino retratados através do simbolismo da gestação e fecundação em matizes de azul. A artista destaca o olhar como centro de sua obra, tão claramente referente a pulsão escópica, que se caracteriza pela energia libidinal do olhar. A multiplicidade de nuances, revelam a sublimação de um inconsciente, que não está a céu aberto, mas se comunica em formas, luzes e cores.

A arte é um significante instrumento e ponte fecunda de contribuição ao saber psicanalítico.

Em sua arte Luciane comunica o indizível, ilustrando o processo de “bem dizer” sobre si mesma. Uma experiência analítica, auto-referente e convergente ao saber psicanalítico através da arte.

Uma surpreendente visada.

Paula Muniz – Psicóloga, especialista em psicanálise

 outubro 2010

“Psiqué” de Luciane Valença est une invitation à un voyage inconscient. Le tableau traite des aspects féminins et masculins à travers le symbolisme de la gestation et de la fécondation, tout en nuances de la couleur bleue. L´artiste fait ressortir le regard comme centre de son œuvre, telle une évidente référence à la pulsion scopique, qui se caractérise par l´énergie libidinale du regard. La multiplicité des nuances révèle la sublimation d´un inconscient qui n´est pas à ciel ouvert mais qui se communique par des formes, des lumières et des couleurs.

L´art est un instrument significatif, un pont fécond qui contribue au savoir psychanalytique. Dans son art, Luciane communique l´indivisible, illustrant le processus du “dire vrai” sur elle-même. Une expérience analytique auto-référente et convergente au savoir psychanalytique à travers l´art.

Une surprenante visée.

Paula Muniz, psychologue, spécialiste en psychanalyse

octobre 2010

(Traduction Nicolas Duvialard)

fraternus

Crítica de Josep Segui, espanhol, curador de arte – traduções: Valéria Hutchison (Inglês) / Eduardo Lasota (Português)

El cuadro plástico y su proceso creativo: “Fraternus”

 Un cuadro, una pintura, está acabada, se muestra, se expone cuando el mismo cuadro, esta obra pictórica, lo decide. Es el cuadro el que decide su acabado, su final, desprenderse del artista que lo ha estado trabajando para ser una obra en si misma, fuera de toda intervención, ya, del creador. Ahora vendrá la intervención del espectador –el artista como su primer espectador, o quizás no, porque el trabajo pictórico le ha “cegado”.

Pero hay más, otra historia. El cuadro pictórico, la obra de arte, no es tanto el resultado final como su proceso de elaboración. Desde la primera mancha de pintura sobre el lienzo, o la madera o el papel, el cuadro tiene un recorrido a hacer. Un proceso, que eso mismo es la creación artística que apunta hacia el objeto acabado, el cuadro: a work in process.

La obra pictórica de Luciane Valença nunca está cerrada, aunque si que, pieza a pieza, acabada. Su obra, en sentido global y desde su perspectiva conceptual y de elaboración en el proceso artístico –y ahora me refiero al histórico-, se abre continuamente a nuevas obras, a nuevas propuestas, al surgimiento de nuevas realidades estéticas que seguirán el mismo camino de nuevas aperturas.

Lo vemos bien en la obra titulada Fraternus. Fotografías con diversos momentos evolutivos de su proceso de elaboración por la artista Luciane Valença. Cada momento, como en el desarrollo de la vida, tiene valor en sí mismo, porque es un instante –una instantánea fotográfica- de un pintura. La artista, y sobre todo la misma pintura, sabe que no; que aún no se ha llegado a su final, que está en camino. Así, en cada momento del proceso, momentos aleatorios y al tiempo dependientes del azar objetivo, tan semejante a la “necesidad”, el cuadro, este Fraternus, es un cuadro en sí, pero no para sí. Por eso no se entiende, no nos sirve, no es, sin el siguiente y los anteriores. De este modo, tenemos el privillejo, en esta serie fotográfica, de ver un proceso pictórico en su globalidad, bien que en síntesis, y ese cuadro final que es El Cuadro, Fraternus.

Fraternus, esta elaboradísima obra de Luciane Valença, pensada, trabajada, al tiempo improvisada y surgida de los deseos del inconsciente, es un todo en su proceso pictórico. Y es el cuadro único, individual e irrepetible, que lleva su título, su firma, fecha, marca de la artista y cesión al mundo del arte, al espectador, a la sala de exposiciones, al coleccionista, a quien gusta de tener obras artísticas en propiedad. O si la artista o su marchante se negaran a negociar con él, iría de vuelta a las manos de quien lo pintó, dio inicio a este movimiento del color y la forma sobre un plano de madera. Es dcir, la inversión de su proceso de trabajo.

The Painting and its Creative Process: FRATERNUS

A canvas or painting is finished, shown, displayed when this artwork itself decides to do so. It is the painting that decides its end, its conclusion, thus detaching itself from the artist that worked on it and becoming a work in itself, beyond the creator’s intervention. Now comes the spectator’s intervention – the artist being its first spectator, or maybe not as the pictorial work may have “blinded” him.

However, there is more, another story. The painting, the artwork is not so much its final result as it is its elaboration process. From the very first paint blot over the canvas, wood or paper, the painting has a path to follow. A process which is itself the artistic creation that points towards the finished object, the painting: a work in progress.

Luciane Valença’s pictorial work shall never end, even if, piece by piece, finished. Her work, in a global sense, from a conceptual perspective and through its artistic elaboration process – and now I make a historical reference – opens itself continuously to new work and new proposals with the emerging of new aesthetic realities which will follow the same path into new prospects.

We can notably observe this in the painting entitled FRATERNUS. Photographs showing different evolutionary stages of the artist’s elaboration process. Each moment, not unlike the development of life itself, has its own worth, because it is a single instant – a photographic instant – of a painting.

The artist, and especially the painting itself, both know that it has not yet come to its end, that it is still underway. And so, at each moment of the process, random moments and sometimes dependant on “chance” objectives, so similar to the concept of “need”, the painting FRATERNUS is a painting in itself but not for itself. It is thus not understood, does not suit us, not without the next and the previous. We thus have the unique privilege, through this series of photographs, of seeing a painting process as a whole, rather than on synthesis, as well as this final painting, which is the painting entitled FRATERNUS.

 FRATERNUS, this extremely elaborate piece by Luciane Valença, thought of, worked, sometimes improvised and emergent from subconscious desires, is a whole in its pictorial process. It is also a unique, individual and unrepeatable painting that carries the artist’s title, signature, date, mark and assignment into the world of art, to the spectator, the exhibition halls and the collector who enjoys owning artwork. Should the artist or her dealer refused to negotiate it, it would go back to the hands of the one who painted it, who started this movement of colour and shape over a wooden surface, Id est. the reversal of its work process.

Translate by Valeria Hutchinson

O quadro plástico e seu processo criativo: Fraternus

Um quadro, uma pintura, está terminada, se manifesta, se expõe quando o quadro mesmo, esta obra pictórica, decide. É o próprio quadro que decide quando está pronto, seu desfecho, desprender-se do artista que nele vem trabalhando para ser uma obra em si mesma, livre, enfim, de toda intervenção do criador. Agora, será a vez da intervenção do espectador – o artista como seu primeiro espectador, ou talvez não, porque o trabalho pictórico o “cegou”.

Porém, ainda não acabou, existe outra historia. O quadro pictórico, a obra de arte, não é nem o resultado final nem o seu processo de elaboração. Desde a primeira pincelada sobre a tela, a madeira ou papel, o quadro tem um caminho a percorrer. Um processo, esse sim é a criação artística que aponta para o objeto acabado, o quadro: a work in process.

A obra pictórica de Luciane Valença nunca está fechada, embora que, peça a peça, sim acabada. Sua obra, em sentido global e desde sua perspectiva conceitual e de elaboração no processo artístico – e agora me refiro ao histórico -, se abre continuamente a novas obras, a novas propostas, ao surgimento de novas realidades estéticas que seguirão o mesmo caminho de novas aberturas.

Podemos perceber isso muito bem na obra intitulada Fraternus. Fotografias com diversos momentos evolutivos de seu processo de elaboração pela artista Luciane Valença. Cada momento, como no desenrolar da vida, tem valor em si mesmo, porque é um instante – uma instantânea fotográfica – de uma pintura. A artista e, sobretudo, a própria pintura, sabe que não; que ainda não se chegou ao seu final, que está a caminho. Assim, a cada momento do processo, momentos aleatórios e ao mesmo tempo dependentes do acaso objetivo, tão semelhante à “necessidade”, o quadro, o Fraternus, é um quadro em si, mas não para si. Por isso, não compreendemos, não nos serve, não existe, sem o próximo e os anteriores. Sendo assim, temos o privilégio, nesta série fotográfica, de ver o processo pictórico como um todo, ainda que em síntese, e esse quadro final que é O Quadro, Fraternus.

Fraternus, esta elaboradíssima obra de Luciane Valença, pensada, trabalhada, e ao mesmo tempo improvisada e nascida dos desejos do inconsciente, é um todo em seu processo pictórico. E é o quadro único, individual e irreproduzível, que leva seu título, sua assinatura, data, marca da artista e cessão ao mundo da arte, ao espectador, à sala de exposições, ao colecionador, a quem gosta de possuir obras artísticas. Se por acaso a artista ou seu marchand se negasse a negociá-lo, voltaria às mãos de quem o pintou e iniciou este movimento da cor e da forma sobre um plano de madeira. Ou seja, a inversão do seu processo de trabalho.

Tradução de Eduardo Lasota

 Professor de Espanhol | Intérprete Simultâneo

 Tradutor Português Espanhol | MSc UFRJ

Pós-Graduação UGF | Skype: eduardolasota

Crítica de Josep Segui, curador de arte

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